Domingo, 27 de Setembro de 2009

ECOS DE TRADIÇÃO

 

 

foto:  pauloel

 

DESCAMISADAS

 

O início do Outono, as noites de luar, o céu estrelado,  uma temperatura agradável ainda com sabor a verão, muita gente nova, e boa disposição que bastasse,  reuniam as condições ideais para a tradicional Descamisada.

 

     Após os dias quentes de verão as espigas de milho amadurecem, e é necessário colhê-las, retirar-lhes as folhas e transportá-las para as eiras para proceder á sua secagem.

Um pouco por todo o país o processo era o mesmo, a ausência de maquinaria obrigava á união de esforços e a muito trabalho manual,  as famílias dos produtores de milho com as maiores terras, nos anos de boas colheitas, viam-se a braços com milhares de espigas.

Não conseguindo "dar conta do recado" sózinhas juntavam-se aos serões e convidavam amigos e vizinhos para um autêntico e genuíno ritual designado por "descamisada" ou "desfolhada".

Este processo reunia grupos de várias pessoas e consistia em retirar as folhas que envolvem a espiga (camisas) com o auxilio de um prego, ou objecto ponteagudo, de modo a que esta pudesse ser seca ao sol, nas eiras, ou em espigueiros, como acontece mais a norte.

Sendo um trabalho repetitivo e algo monótono, era investido de um espírito de competição para ver quem tirava as camisas mais rápidamente, e conseguia acumular maior quantidade de espigas junto de si. Canções populares saíam a despique,  jeropiga e filhoses de abóbora, davam um ambiente quase de festa á tarefa. Digo quase de festa, porque a festa mesmo era quando alguém encontrava uma espiga de milho com cor vermelha e gritava bem alto: 

 - Xiiii ! 

Toda a gente parava!

Xi, de "xi-coração" ou abraço, pois a pessoa que encontrava a espiga vermelha ía abraçar de forma individual todos os que estavam presentes, e guardava a espiga vermelha (milho rei) para si. 

Escusado será dizer, que este abraço, que parece quase rídiculo nos dias de hoje em que tudo, ou quase  tudo é permitido, para os mais jovens dessa época antiga e de uma sociedade conservadora, era uma das poucas possibilidades que tinham de abraçar as moças num rápido, público e consentido contacto físico. 

O trabalho continuava, com o mesmo despique, a mesma alegria e diversão, agora  com mais "trocas de olhares", corações a palpitar, e maior ansiedade na procura de uma nova espiga vermelha sinónimo de novo, repetido e expressivo  ABRAÇO. 

 

Tradições de abraços, ou de abraço, daquele abraço sentido, que fez... e um dia voltará a fazer sentido e, quando menos se esperar  está de volta, seja resultado de uma descamisada...

de um Twitter... ou de um Facebook !     

 

  

 


publicado por pauloel às 10:58
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